Um planejamento de T&D fundamentado por dados, estatísticas e informações de mercado melhora consideravelmente a probabilidade de receber aprovação para o orçamento e apoio da liderança para suas ações de treinamento.
De acordo com o Linkedin Learning Report, alinhar o planejamento de treinamento e desenvolvimento com os objetivos do negócio é a prioridade número 1 para os líderes de L&D.
Para esse alinhamento, dados da área de treinamento e recursos humanos são indispensáveis. Portanto, reunimos insights classificados por tópicos em alta entre os profissionais de recursos humanos, obtidos a partir de pesquisas e levantamentos recentes realizados por fontes renomadas.
Esses dados servirão de base para a elaboração de um planejamento estratégico de L&D para 2024, preparando sua organização da melhor forma para os desafios futuros. Bom planejamento!
Gestão de competências
Organizações skills-based
Para dar conta da velocidade vertiginosa com o que o mercado e as tecnologias para realizar o trabalho evoluem, as competências são a nova divisão do trabalho e muitas empresas estão se tornando organizações skills-based.
Esse levantamento da Deloitte com mais de mil profissionais e executivos de RH em todo o mundo e em todos os setores aponta que 90% dos executivos estão ativamente experimentando com práticas skills-based.
A abordagem skills-based muda a maneira como a organização contrata, treina e desenvolve seu time, além de abrir espaço para mais diversidade por diminuir o foco em formações acadêmicas pouco acessíveis.
Esse dado levantado pelo Linkedin com base nas vagas postadas na plataforma mostra um rápido crescimento em poucos anos nas vagas postadas que não colocam uma formação acadêmica como requisito mandatório para a vaga, de 21% em 2019 para 29% apenas 3 anos depois.

O foco em competências demanda programas sólidos e constantes programas de upskilling e permite que a empresa revisite seus requisitos de contratação para acessar um pool maior de talentos, como por exemplo contratando pessoas que dominam os skills de trabalho específicos para uma vaga mas não dominam um skill usado pela maioria do time, como a comunicação fluente em Inglês.
Os trabalhadores parecem concordar com o modelo, com 73% afirmando que a divisão por skills melhoraria a experiência no trabalho.

Soft Skills em alta
Acabamos de mencionar a velocidade cada vez mais impressionante das mudanças no mercado. Esse levantamento estima que ⅓ das habilidades que serão necessárias em 2025 não estão nas descrições de cargos atualmente.
Dado que não há sinais de que essa velocidade de mudança irá diminuir em um futuro próximo, as soft skills (também conhecidas como power skills), que englobam a habilidade de adaptar-se à mudança, comunicar-se eficazmente, colaborar e compartilhar conhecimento, estão em grande demanda.
Essa pesquisa aponta que as ocupações que requerem uso intensivo das soft skills ganharão ainda mais espaço, passando a representar ⅔ de todas as vagas até 2030.
Bem estar e saúde mental em evidência
O mundo do trabalho sofreu mudanças drásticas e inesperadas, que refletiram em diversos aspectos relacionados ao bem estar e a saúde mental dos trabalhadores.
Mais problemas com a saúde mental dos trabalhadores
Esse levantamento intitulado Large Employer Health Care Strategy Survey recentemente apontou que 77% dos grandes empregadores relatam um aumento nos casos de trabalhadores com problemas relacionados à saúde mental, um aumento de impressionantes 33 pontos percentuais em relação à edição anterior do mesmo levantamento.
A saúde mental prejudicada impacta negativamente os números de retenção. Esse estudo da consultoria McKinsey aponta que trabalhadores que enfrentam dificuldades com a saúde mental têm 4 vezes mais chance de deixarem seus trabalhos.
Os trabalhadores esperam que as empresas sejam parte da rede de apoio: uma enquete da American Psychological Association revelou que 92% dos trabalhadores consideram muito importante que as organizações ofereçam suporte para a saúde mental do time.

As pessoas esperam mais bem-estar no trabalho
Fomentar o bem estar no ambiente de trabalho é a maneira mais eficiente de atuar preventivamente na saúde mental da equipe e as pessoas estão cada vez mais conscientes disso.
Nessa pesquisa sobre bem-estar no trabalho realizado pela Indeed com base em empresas com mais de 1.000 funcionários, 47% das pessoas relatam que suas expectativas de bem-estar no trabalho são maiores do que há apenas um ano.
Bem-estar contribui para melhores índices de retenção: a mesma pesquisa também aponta que 89% das pessoas que se sentem bem no trabalho desejam permanecer na empresa no próximo ano, contra 55% das pessoas com baixos níveis de bem-estar.
Mas será que as organizações estão agindo para garantir a produtividade e satisfação no trabalho por meio de cuidados com a saúde mental e bem estar?
Esse levantamento recente da Harvard Business Review mostra descompasso nessa área, com apenas 27% dos trabalhadores afirmando que a empresa prioriza o bem-estar mental da equipe.
A liderança influencia fortemente a percepção das pessoas sobre a qualidade no ambiente de trabalho. Uma pesquisa chamada Toxicity in the Workplace Survey realizada com 8.400 profissionais mostrou que o impacto de um gestor tóxico tem consequências tanto para a saúde mental como física.
Os participantes liderados por gestores tóxicos reportaram que sentem mais ansiedade (51%), fadiga mental (44%) e efeitos físicos como dor de cabeça, problemas de sono, problemas de estômago e alterações de apetite.
Desafios à vista no desenvolvimento de lideranças
Em diversos estudos com diferentes enfoques, a comunicação aparece sempre nas primeiras posições como a competência mais valorizada pelas organizações, e na relação do time com a liderança as barreiras de comunicação podem ter um impacto negativo ainda maior.
A pesquisa anteriormente citada sobre toxicidade no ambiente de trabalho que destaca a importância dos gerentes nesse aspecto apontou que a má comunicação é o ponto mais citado pelas pessoas sobre gerentes tóxicos, citado por 43% das pessoas.
Mais uma confirmação do ponto de vista dos liderados: nesse levantamento da Harvard Business Review que perguntou quais as soft skills que os gerentes mais precisam, a comunicação efetiva encabeça a lista, mencionada por 58% dos respondentes.

Os líderes são muito importantes para a adoção do plano de treinamento pelos times, têm um papel essencial no bem-estar das pessoas, além de capitanear a empresa rumo aos objetivos de longo prazo.
Isso é muita coisa para gerenciar, e os números confirmam a sobrecarga de trabalho na liderança: nesse levantamento feito pela Gartner com líderes de RH, 75% afirmaram que seus gerentes estão sobrecarregados e têm mais responsabilidades do que conseguem gerir.
Muitos líderes de RH responderam ao aumento das exigências com os gestores aumentando os investimentos em programas de desenvolvimento, mas 75% dos gestores dizem que os programas por si só não são eficazes, sem que haja melhoria na distribuição do trabalho e um limite nas expectativas das responsabilidades que sejam de possível gerenciamento.
Para os líderes analisados, realizar um trabalho que seja focado, executável e sustentável é cinco vezes mais importante do que o upskilling, por isso é importante um planejamento criterioso e estratégico para que as iniciativas de desenvolvimento da liderança não sobrecarreguem o time.

Cada vez mais autonomia no aprendizado
A divisão do trabalho mais orientada a competências da contratação ao recrutamento interno molda a realidade de um aprendiz corporativo cada vez mais tomando as rédeas da aquisição dos conhecimentos que precisa para avançar na carreira, com tendências como o aprendizado contínuo (lifelong learning) e autônomo (self-directed learning) cada vez mais mencionados no mercado.
Embora as pessoas estejam mais à frente do seu desenvolvimento profissional, a oportunidade de aprender no trabalho é altamente valorizada pelos trabalhadores.
Essa pesquisa recente mostrou que 92% das pessoas levam as oportunidades de T&D em consideração ao escolher entre duas ofertas de emprego.
A flexibilidade no trabalho veio para ficar
O plano de treinamento precisa levar em consideração esse ganho de autonomia e a realidade do trabalho híbrido e remoto, com oportunidade de aulas assíncronas e plataformas capazes de engajar as pessoas no aprendizado.
Esse levantamento realizado recentemente nos Estados Unidos mostrou que 35% dos trabalhadores cujo trabalho pode ser realizado de forma remota já estão trabalhando de casa 100% do tempo. Esse número é menor do que os 43% da mesma pesquisa em 2022, mas consideravelmente maior do que os 7% pré-pandemia.
Nesse estudo recente da Gallup, 60% dos funcionários afirmaram que esperam trabalhar remotamente pelo menos uma vez por semana, em comparação com apenas 38% antes da pandemia.
Essa outra pesquisa da Infojobs com empregadores mostrou que 41% das empresas planejam aumentar as contratações de trabalho remoto nos próximos dois anos, em comparação com 37% no início da pandemia em 2020.
O trabalho remoto é o benefício mais desejado pelos trabalhadores e 65% dos empregadores apontaram a retenção e a atração dos melhores talentos como razão para a contratação remota.
Mais produtividade sim – e mais senso de isolamento também
Quando as organizações oferecem total flexibilidade, em comparação com a oferta de flexibilidade apenas em torno de quando e onde os funcionários trabalham, a percentagem de funcionários definidos como de alto desempenho aumenta em 40%, conforme a Gartner.
A melhora no desempenho ocorre, em parte, devido à flexibilidade, que dá aos funcionários um senso maior de autonomia, e também em parte porque reduz significativamente o risco de burnout por mais equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal.
Ganha-se na vida pessoal, mas perde-se no quesito da conexão: nessa pesquisa feita com trabalhadores remotos nos Estados Unidos, 36% das pessoas afirmaram que o remoto prejudica as oportunidades de mentoria no trabalho e 53% afirmaram que se sentem menos conectadas aos seus colegas.

Uma cultura corporativa saudável fica ainda mais importante
Com exigências maiores na produtividade e na capacidade de adquirir competências rapidamente, as organizações precisam se dedicar de forma ainda mais proativa para construir uma cultura corporativa sustentável para todos os envolvidos.
Essa pesquisa da Gallup perguntou a um grupo de trabalhadores o que mudariam caso pudessem mudar algo na organização para transformá-la em um lugar melhor para trabalhar. No geral, 85% das respostas relacionaram-se com três categorias: cultura, remuneração e bem-estar. – engajamento e cultura foram citados por 41% dos entrevistados.
O desafio para os profissionais de RH é transformar esse anseio por uma cultura corporativa sustentável em ações: nessa pesquisa da Gartner que levanta as prioridades para os líderes de RH no ano, 47% dos líderes de RH não sabem como impulsionar a mudança para alcançar a cultura desejada.
Resumo dos Achados
Um planejamento de L&D embasado em dados, estatísticas e informações de mercado é crucial para obter aprovação orçamentária e apoio da alta administração nas iniciativas de treinamento. O alinhamento do T&D com os objetivos de negócios é a principal prioridade para líderes de L&D, e dados da área de treinamento e recursos humanos desempenham um papel fundamental.
As organizações estão adotando uma abordagem orientada por competências, o que muda a forma de contratar, treinar e desenvolver equipes, tornando mais acessíveis as oportunidades de emprego. Soft skills, como adaptabilidade, comunicação eficaz, colaboração e compartilhamento de conhecimento, são cada vez mais valorizadas.
O bem-estar e a saúde mental dos funcionários também são tópicos críticos, pois problemas de saúde mental afetam a retenção de talentos. Os trabalhadores esperam mais bem-estar no trabalho e apoio às suas necessidades de saúde mental.
O desenvolvimento de lideranças é desafiador, com a comunicação sendo uma habilidade crucial, e a sobrecarga de trabalho é uma preocupação.
Os trabalhadores têm mais autonomia no aprendizado, com aprendizado contínuo e autônomo em ascensão.
A flexibilidade no trabalho é uma tendência crescente, com oportunidades de trabalho remoto e aulas assíncronas.
Uma cultura corporativa saudável se torna ainda mais essencial, com foco em engajamento e bem-estar. Muitos trabalhadores desejam uma cultura corporativa sustentável, mas transformar esse desejo em realidade pode ser desafiador para profissionais de RH.
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